Rostos cansados, olhos baixos e ansiosos para chegar em casa. Tem um jantar quentinho esperando por aquele corpo exausto.
O barulho do trem andando pelos trilhos transforma-se em trilha sonora. Na janela, o reflexo da cidade mistura-se com um rosto pálido e sonolento. Um silêncio confortável, o silêncio mais esperado, o silêncio da noite e de um dia que finalmente terminou.
Os pensamentos transbordam pelo vagão, é possível ouvir as vozes ecoando, mesmo sem pronunciar qualquer palavra.
Desejos, vontades, sonhos, dúvidas.
Pessoas tão diferentes, vontades tão iguais. Aqueles rostos escondem também o desejo de algo que nem eles sabem. Desejo de “chegar lá”. Esse lá parece muito longe, inatingível e fora do alcance. O “lá” vira dúvida e essa angústia transforma-se no “até quando!?”…
O até quando deixa a gente aqui, e o lá fica cada vez mais longe. O até quando tira o sono, tira a graça e sempre deixa a dúvida.
Enquanto o trem viaja vagarosamente, um longo suspiro ecoa pelo vagão e confunde-se com bocejos abafados. Bocejos e suspiros cansados desejando chegar lá, esperando o até quando acabar…


A gente só quer estar em qualquer canto de banco, desde que estejamos indo pra casa.
Simplesmente fantasticamente maravilhosamente fascinante!