Cotidiano

25 out

Suspiros, silêncio.

Rostos cansados, olhos baixos e ansiosos para chegar em casa. Tem um jantar quentinho esperando por aquele corpo exausto.

O barulho do trem andando pelos trilhos transforma-se em trilha sonora. Na janela, o reflexo da cidade mistura-se com um rosto pálido e sonolento. Um silêncio confortável, o silêncio mais esperado, o silêncio da noite e de um dia que finalmente terminou.

Os pensamentos transbordam pelo vagão, é possível ouvir as vozes ecoando, mesmo sem pronunciar qualquer palavra.

Desejos, vontades, sonhos, dúvidas.

Pessoas tão diferentes, vontades tão iguais. Aqueles rostos escondem também o desejo de algo que nem eles sabem. Desejo de “chegar lá”. Esse lá parece muito longe, inatingível e fora do alcance. O “lá” vira dúvida e essa angústia transforma-se no “até quando!?”…

O até quando deixa a gente aqui, e o lá fica cada vez mais longe. O até quando tira o sono, tira a graça e sempre deixa a dúvida.

Enquanto o trem viaja vagarosamente, um longo suspiro ecoa pelo vagão e confunde-se com bocejos abafados. Bocejos e suspiros cansados desejando chegar lá, esperando o até quando acabar…

2 Respostas para “Cotidiano”

  1. Poeta Da Colina outubro 26, 2011 às 8:53 pm #

    A gente só quer estar em qualquer canto de banco, desde que estejamos indo pra casa.

  2. Admirador secreto novembro 4, 2011 às 1:57 am #

    Simplesmente fantasticamente maravilhosamente fascinante!

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